Como identificar problemas na aprendizagem?

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e MEC (Ministério da Educação) apontou que aproximadamente 70% dos estudantes brasileiros possuem nível insuficiente em português e matemática, relacionando as dificuldades de aprendizagem desses conteúdos, por Estados e classes socioeconômicas. Isso também leva ao questionamento de como são trabalhados essas matérias nos modelos tradicionais de Educação, pois não podemos considerar que neste caso, os problemas possam estar apenas relacionados aos estudantes. Mas com certeza a falta de como saber identificar e trabalhar tais problemas de aprendizagem, também interferem nessas estatísticas.

Conseguir aprender algo novo é uma tarefa fácil no seu dia a dia? Para muitas pessoas não é tão simples assim. Há quem apresente algum tipo de problema de aprendizagem e não desenvolva as habilidades necessárias para absorver um ou vários tipos de conhecimento.  

De maneira geral, os problemas de aprendizagem estão ligados a uma causa neurológica, mas estímulos emocionais, sociais e culturais também podem influenciar na captação, processamento e dominação de determinadas informações e conteúdos. 

É na infância que os problemas de aprendizagem costumam aparecer. Contudo, eles podem durar, sim, até a vida adulta.

 

Problemas de aprendizagem mais comuns

Existem situações em que até uma abordagem educacional diferenciada não é o suficiente para que o estudante consiga evoluir. E, nesses casos, podemos estar mesmo diante de um problema de aprendizagem, que, além de afetar o rendimento escolar, tem ainda reflexos nas relações interpessoais.

Alguns problemas de aprendizagem são mais frequentes entre os estudantes. Confira quais:

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

De origem neurológica, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é o responsável por desatenção, impulsividade, inquietação e falta de concentração do estudantes.

Dislexia

A dislexia é a dificuldade para leitura, atrapalhando ou impedindo a fluência do estudante. Em geral, o estudante com dislexia inverte sílabas, troca ou omite letras, faz uma leitura mais lenta do que o normal, pula linha ao longo do texto, entre outros comportamentos.

A dislexia é crônica e pode durar alguns anos ou acompanhar o indivíduo pela vida toda.

Disgrafia

Na disgrafia, que costuma estar associada à dislexia, o estudante apresenta dificuldades na escrita e costuma inverter, trocar, omitir e até inventar letras. Além disso, está associada a letras mal traçadas e ilegíveis, letras muito próximas e desorganização ao produzir um texto.

Disortografia

A disortografia é outro problema de aprendizagem que pode estar associado à dislexia. Falta de percepção dos acentos e sinais de pontuação, troca de grafemas, separação errada das palavras e ausência de motivação para escrever são os principais indícios de que a pessoa tem o problema.

Discalculia

A dificuldade que muitas pessoas têm com os números pode ser reflexo da discalculia. Nesse caso, os portadores vêem obstáculos nos sinais das quatro operações e não sabem usá-los, não sabem interpretar enunciados de problemas, não conseguem quantificar ou fazer comparações, não entendem sequências lógicas.

Dislalia

Na dislalia, o problema está na fala. O estudante apresenta uma pronúncia incorreta das palavras, com trocas de fonemas e sons alterado, tornando-as confusas.

Como identificar os problemas de aprendizagem

Pessoas com problemas de aprendizagem costumam apresentar sinais claros de suas barreiras. Por exemplo, alguns estudantes sentem dificuldade para compreender tarefas e instruções ou para realizar atividades em grupo. Já outros, por exemplo, podem ter questões com memorização, coordenação motora ou com o conceito de tempo.

Em geral, a partir do trabalho de uma equipe multidisciplinar, normalmente formada por médicos, psicólogos, psicopedagogos e até fonoaudiólogos, é possível traçar um diagnóstico assertivo sobre o tipo de problema do estudante. No entanto, educadores, pais/tutores e todos os envolvidos no processo educativo são fundamentais para ajudá-lo e incentivá-lo a superar esses desafios na busca pelo conhecimento.

 

Fontes:

https://g1.globo.com/educacao/noticia/2018/08/31/desigualdade-na-educacao-cria-abismo-dentro-e-fora-dos-estados-veja-ranking-por-redes-localizacao-e-perfil-de-alunos.ghtml

http://portal.mec.gov.br/busca-geral/389-noticias/ensino-medio-2092297298/68271-apenas-1-6-dos-estudantes-do-ensino-medio-tem-niveis-de-aprendizagem-adequados-em-portugues